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04 janeiro 2010

O amor escorre, se perde, transforma-se em traços de rugas. Quando já não há espaço pra acomodar tantas delas - traços de amores passados. O amor se veste de lágrimas e permanece escorrendo, se perdendo, livre e sendo..

Porque quando eu fecho os olhos são eles – meus amores, quem eu vejo. São todos eles que passam feito filme em minha mente, todos apertados no espaço pequeno que é meu reservatório de amor. Meus olhos, projetores cinematográficos, visualizam os donos das marcas que me enfeitam. E o que vejo cai na boca, e tem o sabor íntimo levemente salgado da lágrima dos amores que se perderam no espaço e não mais voltarão a acomodar minha vida. Do alto para o mais baixo de mim vou me atirar. Abrirei meu corpo, minhas pernas no asfalto e correrei.. Só paro de correr quando estiver longe, tão longe que o eco demore a chegar. E lá terei a certeza de que não estarei em paz enquanto eu souber e tiver amor pra receber ou dar. Esse é o meu jeito de me perdoar e voltar a amar.



O tal do amor, zero

14 dezembro 2009

Todas as noites ouço uma voz que é ouvida só por mim, trata-se de uma voz conhecida e muito íntima.
Por anos ouvi o dono dela palavreando frases de amor perto dos meus ouvidos de um jeito manso irresistível, agora ouço por intermédio da imaginação. Levo-o a qualquer lugar, seu som vai aonde eu for.
Às vezes puxo-o para perto de mim quando vou à cafeteria tomar chá de jasmim. Ele me faz companhia, assim não preciso abrir jornais ou revistas e perpetuo nosso programa da matina. Fico calada com meio sorriso estampado no rosto, ouvindo meu amor sussurar elogios e promessas de um futuro diferente do presente.
Quando estamos juntos esqueço o dia em que o peguei no flagra com outra mulher, eu já perdoei.
Estou aguardando apenas que ele se decida e volte pra mim.
Ultrapassei a faixa da realidade, estou beirando a mediocridade e me afogando na lama - nele.
Minha vida não é nada mais que sonho distorcido, mas só assim eu fujo da solidão de ser só uma.
Ele me abandonou e ele mesmo me ajuda a superar a dor que me causou. É um destruidor que reconstrói, apesar da ditância. Tenho vivido com ele no peito, com a voz dele impregnada em meus dedos.

Enquanto escrevo ele me chama pra tomar chá na cafeteria da esquina.
Vou antes que ele comece a sair da minha vida.




Vida de ilusão, um.