15 dezembro 2009

- Promete que você não vai me deixar?! - perguntou-me ele, quase que suplicando, enquanto levantava a cabeça do meu colo, para poder me encarar. Encarava-me com aqueles olhos azuis, que antes tinham um brilho enorme e que agora estavam cheio de lágrimas. Aquilo me surpreendeu.
- Descansa, Léo. Vai ficar tudo bem! - sem conseguir lhe encarar, foi o que eu pude dizer naquele momento. Mas ele não se contentou...
- Promete! Por favor! - disse, segurando meu rosto com força entre as suas mãos e me obrigando a olhar para aqueles olhos que antes me confortavam, e que hoje me causavam um certo nojo.
- Você está me machucando, Leonardo! - tentei falar calmamente, mas quase gritei. Agora foi a vez dele de se assustar. Tirou as mãos do meu rosto rapidamente, e sussurrou um pedido de desculpas. Eu pensei em levantar, mas quando vi que ele havia voltado a chorar, desisti. Eu sempre tive coração mole, mesmo com o causador das minhas mais amargas lágrimas. Léo, então, novamente apoiou a cabeça no meu colo e ficou deitado ali, enquanto eu fazia carinho em sua cabeça. O silêncio tomou conta do quarto. Achei que o menino, que agora parecia tão indefeso, tivesse adormecido em meu colo, mas quase que em um sussurro, ele disse:
- Me perdoa, por favor! Não posso viver sem você! - felizmente ele adormeceu de vez, sem que eu precisasse responder à sua súplica. E então, bem devagar, eu me levantei e apoiei a cabeça dele em um travesseiro. Fiquei em pé ao seu lado, o admirando. Como a beleza dele era linda! Parecia um anjo, com aqueles cachinhos loiros e aquela boca com um tom vermelho natural. Um anjo que em vez de salvar o meu coração, o despedaçou, o triturou, o amassou e acabou com ele completamente. Caminhei até a porta devagar, para evitar fazer qualquer barulho. Com a mão na maçaneta e com os olhos cheios de lágrimas, dei uma última olhada em Leonardo, meu amor, minha ilusão, meu sonho e meu pesadelo. - Eu não vou chorar! - pensei, mas antes mesmo de concluir meu pensamento uma lágrima escapou e escorreu pelo o meu rosto; a sequei rapidamente, e assim como entrei naquele quarto pela primeira vez, sem a intenção de sair, sai sem a intenção de voltar. Adeus, Léo. E fechei a porta.

pág. 88, O que houve com o amor?

8 comentários:

Pâmela Marques disse...

Sei como é difícil dar adeus, fechar a porta e não sair ferido com isso. Triste.

gabiz disse...

aah, eu detesto despedidas....

Mariah disse...

tranque e jogue a chave fora...senão, qualquer hora...sabe como é...

Lilianne Mirian' disse...

[...] Como aconteceu nã sei. como foi que eu deixei de te amar[...]

- Qdo o amor se vai...
Não tem mais volta mesmo..
Tudo perde o sentido, até os olhos azuis e o jeitinho de anjo.
adorei'


BeiijOo'

Eric R. disse...

É dificil dar adeus com vontade de ficar,dizer adeus a alguém que você quer amar.

Belo texto.
Intrigante e surpreendente.

Sylvio de Alencar. disse...

Muito bom Buba! Muito bom!
Foi fácil me colocar na situação dele, viver o fato, sentir ao momento. Foi fácil para mim entender e sentir seus sentimentos.
Foi 'interessante' estar com vc na hora em saiu do quarto, e fechou a porta.

Porque temos que sofrer tanto para continuarmos a nos relacionar?
A muito que descartei o 'sofrimento'. Será que uma coisa está ligada à outra?
Posso estar errado, mas eu duvido.
Bjs.

♥Anny♥ disse...

Sei como é difícil dar adeus, fechar a porta e não sair ferido com isso. Triste.²
E tô passando por isso nesse exato momento... :///
Tristee...

Flor, amei seu blog, primeira vez por aqui e me fascinei!!
Feliz Nataal e que o amor seja o protagonita na vida de cada um!!
BJão

PS: virei fã do blog viiu?
=**

fabíola borges. disse...

que texto liindo *-*
realmente, me emocionei, to chorando aqui haha
foi muito fácil me colocar no lugar dos dois, na verdade. sei como é difícil dar adeus :\