19 dezembro 2009

mergulhava no silêncio etéreo do próprio sepulcro. O corpo em completo estupor, a mente padecendo vagarosamente, como na esperança de uma reação, um último esforço para livrar-se daquelas águas geladas que, embora aparentemente inofensivas, a engoliam como uma fera iracunda. Naquele momento ela sentiu que a morte lhe sorria (e não é bem verdade que a vida toda passa diante dos olhos no decurso do último suspiro?). De repente podia ver os olhos negros de seu pai novamente, exigindo-lhe um mínimo de consideração pela existência que ele a concedera. Mas ela olhou para trás e vislumbrou um imenso nada conquistado: nenhum amigo verdadeiro, nenhum grande amor, nenhuma fortuna, nem mesmo um inimigo para rir-se de sua desgraça, ou uma família para proporcioná-la um funeral decente.
Uma tristeza profunda inundou-lhe o coração. Como seria no dia seguinte? Não havia sequer um patrão para dar-se por sua falta, e provavelmente seria o cachorro que a encontraria sem vida, boiando sob uma crosta de gelo na piscina. Lembrou-se dos tempos de colégio, das suas notas ruins, dos animais de estimação que deixara morrer por falta de cuidado. E por um curtíssimo lapso lembrou-se também de algumas risadas, dos filmes de amor que a fizeram chorar, dos banhos de chuva... Teria sorrido se pudesse, e se - subitamente - uma mão não a tivesse puxado para a superfície, envolvendo seu corpo lânguido. Seria um anjo? Seria Deus? E desde quando ela acreditava em Deus? Gritava-lhe agora a consciência que tanto tentara alertá-la sobre sua vida de excessos. Excesso de rancor, excesso de inércia, excesso de álcool, e pouco de essência - pouco do que é essencial.

Pág 21, Cheque especial

10 comentários:

Vanessa Souza Moraes disse...

A falta é sempre falta de ser, não de nenhuma coisa...

FatoSempalavras. disse...

Olá. obg pela sua presença.

Gostei do que li aqui...uma lenidade aliada à clareza. Muiiito booom.

Estou lhe seguindo,ok?

Se puder, pf, entre na nossa comunidade - sim, esta tb é sua já que escreves.

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96229629

abraços.

Sylvio de Alencar. disse...

Maravilhoso, Natália.
Encontro aqui, neste Bolog, textos que me satisfazem plenamente: leves, concretos, reais e realistas, plausíveis, e bem escritos.
Que coisa! Pensei que só pessoas um pouco masi velhas pudessem escrever asim - besteira minha, eu sei,agora sei. Vcs estão me fazendo descobrir isso.
Fico feliz en tê-las encontrado.

Sylvio de Alencar. disse...

Situações onde vc se mostrou, atitudes amorosas, fraternos abraços, risos, banhos de chuva... Realmente é o que se leva.

dand disse...

Dica...que história é essa...Nem pisqueei menina. Vamos escrever um livro juntos hauauahahuhauhaha.
Nossa, li 2 vezes.

Mas engraçado, que lendo seu texto, me lembrei de uma pessoa que se fosse morrer acho que sentiria a mesma coisa. Ela não tem nada por ela, sua vida foi de excessos tb, e não conquistou nad ana vida.
Quem sabe um milagre né? mas ela tb não acredita em Deus.
Então só lhe resta a sorte.

Saudades Dica...Bjão ótimas festas....

Pâmela Marques. disse...

Eu vou ficar muito brava se você não continuar a escrever, viu.

Sarah' disse...

Lindo seu texto, parabéns.
bjs

Silvana Nunes .'. disse...

Salve !
Em busca de leitores e de petrocínio para o meu blog, estou aqui para convidá-lo a conhecer "FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER...", em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Professora e pesquisadora da cultura brasileira, acredito num mundo melhor com menos violência através do exercício da leitura e da reflexão.
O afeto e a educação continuam sendo o maior bem que podemos deixar para os nossos filhos. Com amor, toda criança será confiante e segura como um rei, não se violentará para agradar os outros e será afinada com o seu próprio eixo. E se transformará num adulto bem resolvido, porque a lembrança da infância terá deixado nela a dimensão da importância que ela tem.
Além disso, divulgar esse imenso país com suas belezas naturais e multiplicidades culturais têm sido outra de minhas metas, afinal ninguém pode amar aquilo que não conhece, não é verdade. Eu me apaixonei pelo Brasil aos 12 anos, depois de ler "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna para fazer uma peça de teatro na escola onde estudava - Chicó foi o meu primeiro amor. Penso que falta ao povo brasileiro conhecer mais o seu país. Ultoimamente temos visto tantos escândalos na TV, dinheiro em mala, en cueca, em bolsa, escondidos até em meia...tanta gente passando necessidade e essa raça de políticos desviando milhões dos cofres públicos, deixando o povo a mercê da própria sorte. Uma total falta de respeito para com o seu país. Falta a essa gente o sentimento de pertencimento, afinal o Brasil ainda é o melhor lugar para se morar.
Bem, se você achar a minha proposta coerente, VAMOS TODOS JUNTOS NA LUTA POR UM MUNDO MELHOR.
Atualmente moro dentro de um pedacinho da Mata Atlântica, ruídos aqui só o canto dos pássaros, o Curupira,do Caruara, a Pisadeira ... vez por outra o Saci aparece aprontando das suas. Devido a localidade ser muito alta, o sinal que chega do meu 3G é muito precário, nem sempre posso estar online. Alé, disso tenho outro probleminha: os relâmpagos. Espero que compreenda as diversas limitações de quem escolheu viver no meio do mato e, na medida do possível, vou respondendo os e-mails que chegam e atualizando o meu blog FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Se você ainda não o conhece, dê uma chegadinha por lá, é só clicar no link em azul. Deixe para mim o seu comentário.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre e que os bons ventos soprem a seu favor neste ano de 2010 que se inicia.
Saudações Florestais !
Silvana Nunes.'.

Silvana Nunes .'. disse...

"Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA..."
( Mário Quintana)
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... está aqui para desejar para você um ano de 2010 de muita LUZ. Que nele você consiga realizar alguns de seus mais importantes propósitos.
E que DEUS ÑANDE RU continue nos anemçoando COM A SUA ETERNA GRAÇA pelo resto de nossas vidas. Agradeço sua visita em meu blog com seus comentários sempre muito carinhosos e relevantes.
QUE SEJAMOS FELIZES.
FELIZ ANO NOVO !
Saudações Florestais !
http://www.silnunesprof.blogspot.com

Olavo disse...

O nosso caminho é feito
Pelos nossos próprios passos...
Mas a beleza da caminhada...
Depende dos que vão conosco!

Assim, neste NOVO ANO que se inicia
Possamos caminhar mais e mais juntos...
Em busca de um mundo melhor, cheio de PAZ,
SAUDE, COMPREENSÃO e MUITO AMOR.

Um ótimo 2010.

Olavo.